domingo, 26 de março de 2017

Making off CORAÇÃO SELVAGEM

Um conto de fadas bizarro, violento e amoral. Uma história de amor sexy e surtada. Um road movie de horror. Um noir ambíguo. Um filmaço de David Linch.

sexta-feira, 24 de março de 2017

COLINA GELADA

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Eu a vi no topo da colina gelada, segurando a barriga enorme. Usava um vestido branco e o sangue que escorria entre suas pernas e sobre a neve era vermelho e quase fumegante. Ela acenou e eu temi por sua sanidade. Ela sorriu e eu percebi que as suas pernas enfraqueciam. Ela sentou-se e deitou-se ali mesmo, no branco rubro, e ergueu o vestido. Do meio das pernas dava para ver que saía algo mais que apenas sangue.

O ENTERRO DE POE

José Marcelo
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Poe é enterrado em uma tarde fria e a chuva que cai é intensa e gelada.  Ele acorda no meio da noite sepultada e se pega rindo e praguejando.  Poe amaldiçoa não a morte, mas a vida que teima em não deixa-lo ir.
Poe sente o cheiro dos vermes e o gosto da terra morta na boca.  Porém tudo o que ele consegue pensar é Minha amada, agora não tarda. Virginia. Agora não tarda.
E, no entanto, tardou.

FELIZ

José Marcelo
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Gosto de pensar que ela morreu feliz. Apesar da loucura. Talvez por isso.

ÚTERO

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Ela deitou-se na água e fechou os olhos, não para afogar-se, não para morrer – mas para lembrar-se.

terça-feira, 7 de março de 2017

PÁGINA MENSUR

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“A orelha moída do Jiu-jitsu seria mais ou menos equivalente à cicatriz na cara do século XIX. Existe uma admiração dos seus pares e da sociedade pelas marcas de um ritual de agressividade inerente àquilo.”  Rafael Coutinho.

vitralizado.

MULHER GRANULADA

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Antoine D'Agata.

DR. WHO E O ATAQUE DOS CYBERMEN ORIGINAIS!!!!

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THE HOUSE THAT JACK BUILTS

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SINOPSE: THE HOUSE THAT JACK BUILTS takes place in 1970s USA. We follow the highly intelligent Jack through 5 incidents and are introduced to the murders that define Jack’s development as a serial killer. We experience the story from Jack’s point of view. He views each murder as na artwork in itself, even though his dysfunction gives him problems in the outside world. Despite the fact that the final and inevitable police intervention is drawing ever near (which both provokes and puts pressure on Jack) he is – contrary to all logic – set on taking greater and greater chances. Along the way we experience Jack’s descriptions of his personal condition, problems and thoughts through a recurring conversation with the unknown Verge – a grotesque mixture of sophistry mixed with na almost childlike self-pity and in-depth explanations of, for Jack, dangerous and difficult manoeuvres.

segunda-feira, 6 de março de 2017

SOUNDTRACK Django Unchained

A Bittersweet Life

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Em uma madrugada de outono, o discípulo acordou chorando. Então, o mestre lhe perguntou, “Você teve um pesadelo?”

“Não.”

“Então você teve um sonho triste?” “

Não,” disse o discípulo. “Eu tive um sonho doce.”

“Então porque você está chorando com tanta tristeza?”

O discípulo enxugou suas lágrimas e calmamente respondeu, “Porque o sonho que tive nunca poderá se tornar realidade”.

O que é este filme? Um estudo de personagem, uma história de amor, um puta filme de ação. Dirigido com a típica maestria por Jee-woon Kim, A Bittersweet Life é um filme para se deleitar. Violento. Belo. E que final!

POSTER A QUADRILHA MALDITA

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Que pôster belíssimo! Evoca e promete mais que um simples western, mas um desses filmes cheios de nuances e mitos nas entrelinhas brutais de um duelo à mão armada. Sensual e brutal.

PROMO FARGO 3

ALEX

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“Com certeza é impossível acreditar – a não ser que se quisesse fazer de Laranja Mecânica um filme perverso – que eu era favorável a Alex. Eu apenas tentei apresentá-lo como ele se sente e como se vê. Evidentemente, em um determinado momento, surge certa simpatia por ele. Como Alex estava em conflito com pessoas tão más como ele, mas de outra maneira, era possível pensar, se fizéssemos uma análise rápida do filme, que havia mais simpatia por ele. Mas como é uma história satírica – e a natureza da sátira é apresentar o falso como se fosse verdadeiro -, não vejo como um ser inteligente poderia achar que Alex era um herói.”

Stanley Kubrick

quarta-feira, 1 de março de 2017

TEASER FARGO 3

FRAMES SEDE DE SANGUE

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Um filme sobre fé, vampirismo, morte, vida, horror, desejo, belamente filmado como se fosse uma pintura sensual e violenta.

CONTO Restos de Carnaval

Clarice Lispector

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Não, não deste último carnaval. Mas não sei por que este me transportou para a minha infância e para as quartas-feiras de cinzas nas ruas mortas onde esvoaçavam despojos de serpentina e confete. Uma ou outra beata com um véu cobrindo a cabeça ia à igreja, atravessando a rua tão extremamente vazia que se segue ao carnaval. Até que viesse o outro ano. E quando a festa ia se aproximando, como explicar a agitação íntima que me tomava? Como se enfim o mundo se abrisse de botão que era em grande rosa escarlate. Como se as ruas e praças do Recife enfim explicassem para que tinham sido feitas. Como se vozes humanas enfim cantassem a capacidade de prazer que era secreta em mim. Carnaval era meu, meu.

No entanto, na realidade, eu dele pouco participava. Nunca tinha ido a um baile infantil, nunca me haviam fantasiado. Em compensação deixavam-me ficar até umas 11 horas da noite à porta do pé de escada do sobrado onde morávamos, olhando ávida os outros se divertirem. Duas coisas preciosas eu ganhava então e economizava-as com avareza para durarem os três dias: um lança-perfume e um saco de confete. Ah, está se tornando difícil escrever. Porque sinto como ficarei de coração escuro ao constatar que, mesmo me agregando tão pouco à alegria, eu era de tal modo sedenta que um quase nada já me tornava uma menina feliz.

E as máscaras? Eu tinha medo mas era um medo vital e necessário porque vinha ao encontro da minha mais profunda suspeita de que o rosto humano também fosse uma espécie de máscara. À porta do meu pé de escada, se um mascarado falava comigo, eu de súbito entrava no contato indispensável com o meu mundo interior, que não era feito só de duendes e príncipes encantados, mas de pessoas com o seu mistério. Até meu susto com os mascarados, pois, era essencial para mim.

Não me fantasiavam: no meio das preocupações com minha mãe doente, ninguém em casa tinha cabeça para carnaval de criança. Mas eu pedia a uma de minhas irmãs para enrolar aqueles meus cabelos lisos que me causavam tanto desgosto e tinha então a vaidade de possuir cabelos frisados pelo menos durante três dias por ano. Nesses três dias, ainda, minha irmã acedia ao meu sonho intenso de ser uma moça – eu mal podia esperar pela saída de uma infância vulnerável – e pintava minha boca de batom bem forte, passando também ruge nas minhas faces. Então eu me sentia bonita e feminina, eu escapava da meninice.

Mas houve um carnaval diferente dos outros. Tão milagroso que eu não conseguia acreditar que tanto me fosse dado, eu, que já aprendera a pedir pouco. É que a mãe de uma amiga minha resolvera fantasiar a filha e o nome da fantasia era no figurino Rosa. Para isso comprara folhas e folhas de papel crepom cor-de-rosa, com as quais, suponho, pretendia imitar as pétalas de uma flor. Boquiaberta, eu assistia pouco a pouco à fantasia tomando forma e se criando. Embora de pétalas o papel crepom nem de longe lembrasse, eu pensava seriamente que era uma das fantasias mais belas que jamais vira.

Foi quando aconteceu, por simples acaso, o inesperado: sobrou papel crepom, e muito. E a mãe de minha amiga – talvez atendendo a meu apelo mudo, ao meu mudo desespero de inveja, ou talvez por pura bondade, já que sobrara papel – resolveu fazer para mim também uma fantasia de rosa com o que restara de material. Naquele carnaval, pois, pela primeira vez na vida eu teria o que sempre quisera: ia ser outra que não eu mesma.

Até os preparativos já me deixavam tonta de felicidade. Nunca me sentira tão ocupada: minuciosamente, minha amiga e eu calculávamos tudo, embaixo da fantasia usaríamos combinação, pois se chovesse e a fantasia se derretesse pelo menos estaríamos de algum modo vestidas – à ideia de uma chuva que de repente nos deixasse, nos nossos pudores femininos de oito anos, de combinação na rua, morríamos previamente de vergonha – mas ah! Deus nos ajudaria! não choveria! Quanto ao fato de minha fantasia só existir por causa das sobras de outra, engoli com alguma dor meu orgulho que sempre fora feroz, e aceitei humilde o que o destino me dava de esmola. Mas por que exatamente aquele carnaval, o único de fantasia, teve que ser tão melancólico? De manhã cedo no domingo eu já estava de cabelos enrolados para que até de tarde o frisado pegasse bem.

Mas os minutos não passavam, de tanta ansiedade. Enfim, enfim! chegaram três horas da tarde: com cuidado para não rasgar o papel, eu me vesti de rosa.

Muitas coisas que me aconteceram tão piores que estas, eu já perdoei. No entanto, essa não posso sequer entender agora: o jogo de dados de um destino é irracional? É impiedoso. Quando eu estava vestida de papel crepom todo armado, ainda com os cabelos enrolados e ainda sem batom e ruge – minha mãe de súbito piorou muito de saúde, um alvoroço repentino se criou em casa e mandaram-me comprar depressa um remédio na farmácia. Fui correndo vestida de rosa – mas o rosto ainda nu não tinha a máscara de moça que cobriria minha tão exposta vida infantil – fui correndo, correndo, perplexa, atônita, entre serpentinas, confetes e gritos de carnaval. A alegria dos outros me espantava.

Quando horas depois a atmosfera em casa acalmou-se, minha irmã me penteou e pintou-me. Mas alguma coisa tinha morrido em mim. E, como nas histórias que eu havia lido sobre fadas que encantavam e desencantavam pessoas, eu fora desencantada; não era mais uma rosa, era de novo uma simples menina. Desci até a rua e ali de pé eu não era uma flor, era um palhaço pensativo de lábios encarnados. Na minha fome de sentir êxtase, às vezes começava a ficar alegre mas com remorso lembrava-me do estado grave de minha mãe e de novo eu morria.

Só horas depois é que veio a salvação. E se depressa agarrei-me a ela é porque tanto precisava me salvar. Um menino de uns 12 anos, o que para mim significava um rapaz, esse menino muito bonito parou diante de mim e, numa mistura de carinho, grossura, brincadeira e sensualidade, cobriu meus cabelos já lisos, de confete: por um instante ficamos nos defrontando, sorrindo, sem falar. E eu então, mulherzinha de 8 anos, considerei pelo resto da noite que enfim alguém me havia reconhecido: eu era, sim, uma rosa.

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domingo, 19 de fevereiro de 2017

THE AMERICANS

 

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Ótima série de espionagem que não se furta de mostrar a ambiguidade e a paranoia  de ser um espião nos tempos da guerra fria.

Sinopse: Phillip (Matthew Rhys) e Elizabeth Jennings (Keri Russell) são um típico casal norte-americano que vive em um subúrbio de Washington, durante a década de 1980, com os dois filhos, Paige (Holly Taylor) e Henry (Keidrich Sellati). Tudo seria absolutamente comum, não fosse um detalhe: Eles são, na verdade, dois agentes da KGB, inteligência russa, vivendo nos Estados Unidos sob identidades falsas, em um casamento arranjado, a fim de obterem informações para a Pátria Mãe. Enquanto colocam em risco suas vidas em favor da Guerra Fria, eles precisam proteger suas próprias crenças, criar os filhos e manter as verdadeiras identidades a salvo, ao mesmo tempo em que questionam o que é ou não real no casamento.

Para ver, clique na imagem.

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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

FRAMES VÍCIO FRENÉTICO

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O meu filme preferido de Abel Ferrara é uma descida ao inferno, sem concessões, brutal e perfeita. Orgias, violência, estrupo, sordidez e a beleza de uma alma condenada.

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A sensação  de pesadelo sangrento, tão cara ao gênero, escorre de cada frame desse trailer. Taí, gostei!

THE EXPANSE

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Não há muito a dizer a respeito de The Expanse. A não ser que… É uma puta série. Uma mistura sci-fi de noir, intrigas políticas, batalhas espaciais, espionagem e guerra. Sabe aquele tipo de série viciante? Pois é.

Sinopse: 200 anos no futuro, com todo o Sistema solar colonizado, o detetive de polícia Josephus Miller (Thomas Jane), nascido em  Ceres no cinturão de asteroides, tem a tarefa de procurar uma jovem mulher desaparecida, Juliette "Julie" Andrômeda Mao (Florence Faivre). Enquanto isso, James Holden (Steven Strait), o Oficial Executivo do transportador de gelo Canterbury, é envolvido em um trágico acidente que ameaça a precária paz entre Terra, Marte e Cinturão. Na Terra, Chrisjen Avasarala (Shohreh Aghdashloo), Executiva das Nações Unidas, trabalha para prevenir a guerra entre Terra e Marte usando qualquer meio necessário. Logo, os três descobrem que a mulher desaparecida e o carregador de gelo são parte de uma vasta conspiração que ameaça toda a humanidade.

The Expanse é baseada em uma série de livros escritos por dois autores que assinam a obra com o nome de James S. A. Corey.

Em tempo: A segunda temporada recém começou e a série está melhor a cada episódio.

Para ver, clique na imagem.

seriestorrent.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

“The basic tool for the manipulation of reality is the manipulation of words. If you can control the meaning of words, you can control the people who must use the words. George Orwell made this clear in his novel 1984. But another way to control the minds of people is to control their perceptions. If you can get them to see the world as you do, they will think as you do. Comprehension follows perception. How do you get them to see the reality you see? After all, it is only one reality out of many. Images are a basic constituent: pictures. This is why the power of TV to influence young minds is so staggeringly vast. Words and pictures are synchronized. The possibility of total control of the viewer exists, especially the young viewer. TV viewing is a kind of sleep-learning. Na EEG of a person watching TV shows that after about half na hour the brain decides that nothing is happening, and it goes into a hypnoidal twilight state, emitting alpha waves. This is because there is such little eye motion. In addition, much of the information is graphic and therefore passes into the right hemisphere of the brain, rather than being processed by the left, where the conscious personality is located. Recent experiments indicate that much of what we see on the TV screen is received on a subliminal basis. We only imagine that we consciously see what is there. The bulk of the messages elude our attention; literally, after a few hours of TV watching, we do not know what we have seen. Our memories are spurious, like our memories of dreams; the blank are filled in retrospectively. And falsified. We have participated unknowingly in the creation of a spurious reality, and then we have obligingly fed it to ourselves. We have colluded in our own doom.”

-P.K.Dick

TRECHO NATIMORTO

Lourenço Mutarelli

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Quando eu era criança a casa da minha avó tinha um poço velho desativado (…) o poço ficava coberto. Eu e os meus primos, a gente ia todo domingo à casa da minha avó, a gente adorava brincar naquele quintal. Um dos meus tios pra manter as crianças afastadas do poço dizia que lá no fundo tinha um monstro. A gente acreditava, coisa de moleque. Até que um dia meu primo acabou caindo no poço. Levou um certo tempo pra tirar ele do poço, por sorte ou por azar ainda tinha um pouco de água no fundo do poço, a água amorteceu a queda dele mas com a luz que entrava no poço refletia na água ele acabou vendo a própria imagem. Quando ele conseguiu sair de lá eu perguntei pra ele ‘então como é o monstro?’ ele me disse 'ele é como todos nós, todos somos monstros’.

FRAMES COSMOPOLIS

Cosmopolis, dir. David Cronenberg, 2012

Don DeLillo  + David Cronenberg. O resultado é no mínimo interessante.

“REAL ESTATE IS THE PHYSICAL MANIFESTATION OF THE CURRENTS OF POWER IN A CITY, AND IN THE NOVEL, PYNCHON PAYS ATTENTION TO THE WAY THOSE CURRENTS HAVE SHIFTED AROUND THE YEAR OF HIS STORY. “LONG, SAD HISTORY OF L.A. LAND USE,” DOC THINKS. “MEXICAN FAMILIES BOUNCED OUT OF CHAVEZ RAVINE TO BUILD DODGER STADIUM, AMERICAN INDIANS SWEPT OUT OF BUNKER HILL FOR THE MUSIC CENTER, TARIQ’S NEIGHBORHOOD BULLDOZED ASIDE FOR CHANNEL VIEW ESTATES.” TARIQ IS TARIQ KHALIL, THE ONLY BLACK CHARACTER IN BOTH VERSIONS OF VICE. IN THE NOVEL, THE SHADOW OF THE RIOTS HANGS HEAVIER THAN IT DOES OVER THE FILM, AND KHALIL APPEARS INTERMITTENTLY AS PART OF A SUBPLOT INVOLVING A POST-PRISON SETTLING OF SCORES. ANDERSON, FOR HIS PART, GIVES THE GUY ONE LONGER SCENE. KHALIL HAS JUST GOTTEN OUT OF THE CALIFORNIA STATE PRISON AT CHINO AND HE DULY APPEARS AT DOC’S OFFICE, WHICH IS SHARED WITH AN ACTUAL DOCTOR WHO GIVES AMPHETAMINE SHOTS FOR CASH. IN PRISON, KHALIL EXPLAINS, HE WAS A MEMBER OF THE BLACK GUERRILLA FAMILY AND CONDUCTED BUSINESS WITH THE ARYAN BROTHERHOOD (ONE OF WHICH BROTHERS IS NOW WOLFMANN’S BODYGUARD). “RACIAL HARMONY, I CAN DIG IT,” SAYS DOC. NOW, KHALIL WANTS TO RECONNECT WITH HIS FORMER GANG. THE PROBLEM IS THAT ALL OF THEIR HOUSES ARE GONE. “WHAT DO YOU MEAN, GONE?” SAYS DOC. “NOT THERE,” KHALIL SAYS. AS IN, WOLFMANN LEVELED TO DEVELOP THE TERRITORY. DOC WRITES IN HIS NOTEBOOK, “NOT HALLUCINATING.” Q1 IT’S A LUCID NOTE. IN VICE‘S WORLD—OURS, TOO—AUTHORITY PERPETUATES ITSELF BY CASTING DOUBT ON THE PERCEPTIONS OF THE WEAK. SOMEONE SAYS, “YOU’RE RUINING MY NEIGHBORHOOD” AND YOU TURN TO YOUR PARTNER AND GO, “THIS MAN IS HALLUCINATING.”

Jesse on Inherent Vice.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

FRAMES O HOMEM DUPLICADO

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The Leftovers, por Adrian Tomine

Leftovers

Uma imagem belíssima para um livro instigante.

vitralizado.

I LEARNED ONE LITTLE THING WHICH HOLDS GOOD EVEN FOR HOLDING THE ATTENTION OF ADULTS. IT’S THIS: YOU CAN’T FEED IT TO THEM ALL AT ONCE. EVEN A LION HAS TO TAKE IT PIECEMEAL. A WRITER OUGHT TO KNOW THIS FROM THE START, BUT WRITERS ARE FUNNY ANIMALS: THEY HAVE TO LEARN THINGS BACKWARDS SOMETIMES.

- Henry Miller

ALL REAL LOVE IS A FORM OF OBSESSION. IF YOU LOVE SOMEONE MORE THAN ANYTHING ELSE, THAT DEGREE OF EXCLUSIVITY REQUIRES AN ABNORMAL AMOUT OF PASSION AND CARE. AND THAT CAN BE POSITIVE, IT’S JUST THAT KEEPING IT SHORT OF UNHEALTHY, SHORT OF VIOLENCE, REALLY REQUIRES A BIT OF MODERATION. YOU CAN’T LET SOMETHING LIKE THAT TAKE OVER ALL OF YOUR THOUGHT PROCESSES

- Shirley Manson 

 

THE FUTURE IS DARK, WHICH IS ON THE WHOLE, THE BEST THING THE FUTURE CAN BE, I THINK.

-

Virginia Woolf, a diary entry from January 18, 1915.

FRAMES SUPERMAN

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LIVROS E TRECHOS

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papodehomem.

domingo, 22 de janeiro de 2017

A VERDADEIRA por mutarelli

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MEU NOME É ALAN MOORE

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FRAMES HALLOWEEN

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O horror surge na criança vestida de palhaço e continua, anos depois, a rondar a vizinhança mais bucólica, a cidade mais tranquila, a noite festiva das bruxas. Um filme a se ver e rever. O melhor filme de John Carpenter? Não sei, mas um filmaço, sem dúvida.

RAMBO PROGRAMADO PARA MATAR (FIRST BLOOD)

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Coronel Samuel Trautman: Acabou Johnny. Acabou.

Rambo: Nada acabou senhor, nada. Não se consegue parar. A guerra não era minha. Você me chamou, eu não pedi pra ir. Fiz o que tinha que fazer , mas não deixaram a gente ganhar.

Eu volto para o mundo é vejo aqueles idiotas no aeroporto, protestando e me chamando de assassino de bebes e todo tipo de besteira. Quem são eles para protestarem contra mim? Quem são eles? Se tivessem na minha pele, pelo menos saberiam porque estavam gritando.

Coronel Samuel Trautman: Foi uma época ruim, Rambo. Pertence ao passado agora.

Rambo: Para você. Para mim a vida civil não é nada. No campo temos um código de honra. Você cuida de mim, eu cuido de você. Aqui não tem nada.

Coronel Samuel Trautman: Você é o último de um grupo de elite. Não acabe com tudo assim.

Rambo: Na guerra eu pilotava avião, dirigia tanques e usava equipamentos de milhões. Aqui eu não arrumo emprego nem como manobrista.

O que é isso? Jesus! Meu Deus! Onde está todo mundo. Os caras. Eles eram meus amigos. Eu gostava deles. Eu tinha amigos. Aqui eu não tenho nada.

Lembra da nossa equipe no Vietnã? Eu peguei uma daquelas coisas mágicas é disse: “Joey,achei”. E eu a envie para Las Vegas. Falávamos sempre de Las Vegas e de um carro. Um Chevy 58, vermelho, ele sempre falava do carro. Ele dizia que íamos rodar até os pneus furarem.

Havia um celeiro e um garoto se aproximou. Ele estava com uma caixa de engraxate e perguntou: “Vai graxa aí? Por favor”. Eu disse: não. Ele perguntou de novo , e o Joey disse “sim”. Então eu fui buscar uma cerveja. Era uma armadilha, a caixa explodiu e espalhou o corpo dele por todo o lugar.

Ele ficou lá gritando feito um louco, e os pedaços dele estavam em cima de min. Eu tive que empurrá-lo. Meu amigo estava espalhado em cima de min, tinha sangue por todo lado e eu tentava mantê-lo vivo. Tentava juntar as partes dele, mas as tripas estavam saindo e ninguém podia ajudar.

Ele dizia: “Eu quero ir pra casa”. Ele ficava repetindo isso. “Eu quero ir para casa”. “Eu quero dirigir o meu Chevy”. Ninguém conseguiu encontrar as pernas dele. Eu não encontrei as pernas dele. Isso não sai da minha cabeça. Foi há mais de sete anos. E todos os dias eu penso nisso. Eu não converso com ninguém. Nenhum dia, nenhuma semana. Eu não tiro isso da minha cabeça.

trecho Brás, Bexiga e Barra Funda

ANTÔNIO DE ALCÂNTARA MACHADO

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Gaetaninho
— Xi, Gaetaninho, como é bom!
Gaetaninho ficou banzando bem no meio da rua. O Ford quase derrubou e ele não viu o Ford. O carroceiro disse um palavrão
e ele não ouviu o palavrão.
— Eh! Gaetaninho! Vem pra dentro.
Grito materno sim: até filho surdo escuta. Virou o rosto tão feio de sardento, viu a mãe e viu o chinelo.
— Súbito!
Foi-se chegando devagarinho, devagarinho. Fazendo beicinho. Estudando o terreno. Diante da mãe e do chinelo parou.
Balançou o corpo. Recurso de campeão de futebol. Fingiu tomar a direita. Mas deu meia volta instantânea e varou pela
esquerda porta adentro.
Eta salame de mestre!
Ali na Rua Oriente a ralé quando muito andava de bonde. De automóvel ou carro só mesmo em dia de enterro. De enterro ou de
casamento. Por isso mesmo o sonho de Gaetaninho era de realização muito difícil. Um sonho.
O Beppino por exemplo. O Beppino naquela tarde atravessara de carro a cidade. Mas como? Atrás da tia Peronetta que se
mudava para o Araça. Assim também não era vantagem.
Mas se era o único meio? Paciência.

KING OF GONZO: PORTRAITS OF HUNTER S. THOMPSON BY RALPH STEADMAN

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